o dia que as mulheres respirarem debaixo d’água…

18 Fev

histórias fantásticas semcara de peixe, estrela, lula...pre me fascinaram. por isso o interesse em ficção científica feminista foi imediato (esse assunto merece um post futuro). uma coisa que sempre capturou minha imaginação infantil eram histórias sobre a possibilidade de vida humana submarina. sei lá, desenhos que mostravam comunidades humanas ou humanóides no fundo do mar…  ou até mesmo livros que contavam histórias de exploração submarina como o vinte mil léguas submarinas do julio verne…. sempre achei bem mais fera do que histórias sobre vida exterrena (que eu também acho animal). enfim, o mar sempre teve um apelo mais forte.

costumo sonhar muito, a noite inteira, sonhos complexos e agitados e por isso frequentemente acordo cansada. apesar de saber que sonhei a noite inteira dificilmente lembro do sonho todo. e quando lembro ele nunca tem uma história muito linear. acho que é assim com boa parte das pessoas.

o lance é que queria escrever sobre esse sonho que tive há mais de um ano. um sonho azul. bem azul. era sobre o fim do patriarcado ou o começo do fim do patriarcado. o que me lembro vagamente é que havia uma lenda ou profecia que dizia que um dia uma mulher aprenderia a respirar debaixo d’ água e esse seria o marco de uma nova era,  o começo do fim do patriarcado. e de fato a última cena do sonho (ou o que minha mente entendeu/selecionou como última cena) era uma mulher respirando livremente debaixo d’ água. como que para indicar que tal dia havia chegado.

o sonho tinha (ou eu atribui a ele) uma pegada meio the female man da joana russ; um crássico da literatura feminista de ficção científica publicado em 75 que descreve o encontro de quatro mulheres que habitam quatro realidades paralelas (ou quatro momentos distintos no tempo, talvez), duas delas em diferentes ‘futuros’: uma em um futuro próximo e distópico onde homens e mulheres viviam em segregação e guerra- o mundo de jael; outra num futuro utópico onde todos os homens morreram de uma peste desconhecida e as mulheres viviam em paz numa eco-utopia anárquica, o mundo de janet.respirando debaixo dagua

[o livro é foda, pena que não tem nenhuma tradução pro português. mas dá pra achar baratinho ai em sebos ou no amazon, usadão e tal (quem quiser encarar uma leitura meio maluca em inglês)]

voltando ao sonho, a minha impressão era de que o momento da respiração sub-aquatica era algo parecido com a passagem do mundo de jael para o de janet. como se estivesse posta um sistema de relações de poder extremamente desiguais entre homens e mulheres num primeiro momento (como o mundo de jael) e ao adquirir esse novo talento uma brecha para o fim dessas relações aparecesse (apontando para uma possibilidade de superação, modificação rumo a um mundo do tipo janet)…

eu fiquei pensando muito em escrever um conto sobre essa história, mas eu nunca botei a mão na massa. porém, como foi um sonho bem bacana, escrever sobre ele aqui me faz sentir meio realizada nessa minha vontade de tranforma-lo num conto, porque ao menos tenho a certeza que se ele escapar pelo meu ouvido e sumir da minha memória tá aqui um registro dele que existirá pelo menos até a bomba de pulso magnético em escala global que tornará toda nossa tecnologia obsoleta hahahahahahahahahahahaha.

[as imagens do post: a gravura ‘underwater face’ é da artista plástica australiana deborah klein, já o quadro é de outra artista, roberta faulhaber e chama-se ‘breathing underwater’]

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