uma conquista para travestis!

10 Fev

saiu ontem uma portaria da secretaria de educação a respeito do uso do nome social de travestis e transexuais nas chamadas escolares do distrito federal. é uma conquista muito bonita para o movimento lgbt e mostra, de certa forma, um empenho da secretaria de educação em tentar lidar com o problema da transfobia no contexto escolar.

imagine o que deve ser a chamada para uma pessoa que não se identifica com o gênero que o nome presente na sua certidão de nascimento implica…a chamada acaba sendo o estopim para abusos, piadinhas maldosas e manifestações duras do preconceito.  a escola é um ambiente homofóbico, todo mundo sabe, basta a gente lembrar como eram as piadas e sacanagens com aquelas pessoas que eram ou aparentavam ser homossexuais.

a evasão escolar entre a população lgbt é significativamente alta – especialmente entre travestis, que estão inegavelmente fora do armário, vulnerabilizadas à violência física e simbólica. e se pensarmos um pouco sobre o entercruzamento entre educação, qualificação e o mercado de trabalho é fácil perceber porque boa parte das travestis está na prostituição. é um ciclo triste que pode ser pelo menos sacudido com essa nova decisão da secretaria que já é em si um ato de respeito e um primeiro passo para o acolhimento de travestis e transexuais no ambiente escolar. ou assim a gente espera que seja, certo?

a portaria mal saiu e já vi uma série de comentários toscos de pessoas cisgênero dizendo (aquelas coisas de sempre) que é uma portaria inútil, que não serve pra nada e blablablablá. a grande questão é: não serve pra nada do ponto de vista de quem? óbviamente quem faz esse tipo de comentário está exercendo um privilégio cisgênero sem tamanho. não sabe o que é cisgênero e que diabos eu estou falando? então leia abaixo:

Diz-se que um indivíduo é cisgênero (do latim cis = do mesmo lado) quando sua identidade de gênero está em consonância com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer, ou seja, seu comportamento psicossocial expresso no seu dia-a-dia está inteiramente de acordo com o que a sociedade espera de pessoas do seu sexo biológico. O individuo cisgênero é, portanto, alguém que se enquadra no sistema binário de gêneros. Já um indivíduo transgênero (do latim trans= do outro lado) é aquele que não se identifica com o gênero atribuído ao nascer; podendo se identificar com o gênero oposto, identifica-se com algum amálgama dos dois gêneros ou com nenhum deles.

Uma Lista de Privilégios Cisgêneros

1. Minha identidade de gênero pode ser facilmente deduzida a partir da minha simples aparência física.
2. Nunca tive que me incomodar se eu estou “passando” satisfatoriamente para outras pessoas como membro do meu próprio gênero.
3. Para todos os efeitos legais, sociais, políticos, econômicos e até afetivos, sei que pertenço ao gênero que todo mundo acredita que eu pertenço.
4. Nunca fui obrigada/o a me comportar de maneira contrária ao gênero ao qual pertenço e com o qual eu me identifico plenamente.
5. Todo mundo usa o pronome adequado quando se dirige a mim. Ninguém teima em me chamar por um nome diferente daquele que corresponde ao meu gênero
6. É improvável que alguém me pergunte sobre meus genitais ou queira saber coisas a respeito das minhas características sexuais secundárias, ou me pedir para vê-las como seu eu fosse atração de circo.
7. É totalmente improvável que eu seja afastada/o do convívio com minha família, isolada/o das minhas amigas e amigos, separada/o de minhas filhas e/ou meus filhos, dispensada/o do meu emprego, desalojada/o da minha casa, ou que receba assistência médica de qualidade inferior, sofra abuso ou violência sexual, seja ridicularizada/o pelos meios de comunicação ou humilhada/o e repudiada/o por organizações religiosas simplesmente por assumir meu gênero publicamente.
8. Nunca foi uma preocupação minha que o meu gênero transformasse pessoas que sempre disseram me amar em pessoas completamente iradas e violentas.
9. Meu sono infantil jamais foi perturbado com desesperadas orações à divindade para que no outro dia eu acordasse no sexo oposto ao meu.
10. Na minha adolescência não tive que pensar que o meu corpo estava se transformando em algo que eu não definitivamente não queria.

Fonte: Definição de Cisgênero no site da ativista transexual Letícia Lanz (com adaptações). Disponível em: http://www.leticialanz.org/

veja a notícia sobre a portaria no próprio portal da secretaria de educação

e veja a portaria completa aqui!

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