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que fera! novos blogs na blogosfera

24 Mai

dois novos blogs chegam para contaminar a blogosfera com coisas feras.

o primeiro é o (trans)ecoqueer da querida sandra michelli. que depois de fechar o natureza torta sentiu falta de blogar e voltou! o blog é sobre questões de ecologia e ecofeminismo do ponto de vista de uma mulher transexual. ahaza!

o segundo, taquifemia, é parte de um projeto muito lindo meu e do hilan. fomos convidadxs por uma editora feminista chamada onira que está para nascer para organizar um livro sobre feminismos e filosofia no brasil e o blog é parte do projeto. tá engatinhando mas já tá online.

as imagens que ilustram o post são um dos meus joguinhos favoritos de todos os tempos, o earthbound para nintendo. em cima está o clumsy robot e ao lado a tessie, monstrinha do lago tess levando o macaco bubbles e um dos personagens principais de um lado a outro do lago. achou nada a ver? eu achei super na proposta. beijos.

feministas, cyber-ativismo, direitos lgbt e uganda

17 Fev
gente,
outro dia tava conversando com minha querida amiga tate sobre as milhares de horas que cada uma de nós passa por dia na frente do computador, na verdade era mais uma tristeza por percebermos que passamos mais tempo online do que offline. uma conversa que tinha a ver com o uso que fazemos do nosso tempo e tinha uma ponta de tristeza porque não estamos nos dedicando o quanto queríamos ao nossa resolução de ano novo de aprender coisas úteis para um mundo pós-apocalíptico (HAHAHAHAHAHAHAHA, isso pode render outro post futuro…), enfim o trecho da conversa tá colado ai embaixo:

ta.ti.a.na: O.K. chega de computador, não tenho mais porra nenhuma pra fazer aqui
carai véi, fulana fica o dia inteiro na internet também né?
que porra é essa que tá acontecendo com as feministas?
rarrarrarrarra

eu: hahahahahahahhahaaha
chama-se CYBERFEMINISMO?
hahahaha não, né?
chama-se ser moquilsa, anti-social e sem vida… provavelmente

ta.ti.a.na: rarrarrarrarrarra
cybermoquilson

piadas a parte, acho que internet serve pra muitas coisas, uma delas é pra congregar uma comunidade que de outro modo estaria espalhada e sem articulação. a internet desempenhou, por exemplo, um papel importante para as organizações não apenas políticas mais afetivo-sexuais lgbt. outra coisa é pro tal cyberativismo, né? se bem que diz ai ‘o poeta’ que a luta se trava nas ruas e não no cyber espaço (mal sabe ele dos chips implantados no cérebro e da confusão entre o real e o virtual. será que ele já pensou que a revolta das máquinas pode ser um pouco mais complicada que os filmes do exterminador do futuro apresentam?)

tá, tudo isso pra falar que o clima tá  tenso em uganda, acontecerá em breve a votação de uma lei que prevê pena de morte para homossexuais e por causa disso tá rolando uma petição online contra tal lei.
o link para assinar a petição é o seguinte: https://secure.avaaz.org/po/uganda_rights_3/97.php?CLICK_TF_TRACK
e, se quiserem dar uma olhada no que tá rolando lá, achei um link tenso no humans rights watch que fala um pouco:
http://www.hrw.org/en/news/2009/10/15/uganda-anti-homosexuality-bill-threatens-liberties-and-human-rights-defenders
pra quem tá com preguiça de clicar no link, dou destaque para essa parte sinistra-da-morte:

People suspected of being gay have faced death threats and been physically assaulted. Many have been ostracized by their families or faced discrimination, including dismissal from their place of employment.

This new draft bill includes a provision that could lead to the imprisonment for up to three years of anyone, including heterosexual people, who fails to report within 24 hours the identities of everyone they know who is lesbian, gay, bisexual, or transgender, or who supports human rights for people who are.

“This inflammatory bill will be taken as further confirmation that it is OK to attack or even kill people perceived to be lesbian, gay, bisexual, or transgender,” said Victor Mukasa, of the International Gay and Lesbian Human Rights Commission. “It is the government’s responsibility to immediately withdraw this dangerous proposal.”

e ai? o que você sabe sobre os direitos lgbt nos diferentes países? eu mesma não sei muito, mas achei na wikipédia (tá wikipédia é zela, mas vamos lá) um quadro sobre os direitos lgbt por países e territórios: http://en.wikipedia.org/wiki/LGBT_rights_by_country_or_territory

ainda sobre cisgênero…

11 Fev

traduzi ano passado uma FAQ da julia serano sobre o termo para a matéria de feminismos e teoria queer ofertada pelo nedig/ceam/unb. quem quiser dar uma olhadinha, ela tá disponível na maravilhosa wiki da coletiva corpus crisis, confabulando! é bacana que conta um pouco da historinha do termo, de onde vem, pra onde vai, tem uns links bacanas de cyber-ativismo transexual… uma defesa a críticas à terminologia e uma discussão bacana sobre privilégios cis.

é bom que lá no confabs tem muitas outras coisas também, inclusive um verbete sobre a própria julia serano. onde alguma das kk’s pensou em traduzir a introdução do livro dela mas morreu na praia…

uma conquista para travestis!

10 Fev

saiu ontem uma portaria da secretaria de educação a respeito do uso do nome social de travestis e transexuais nas chamadas escolares do distrito federal. é uma conquista muito bonita para o movimento lgbt e mostra, de certa forma, um empenho da secretaria de educação em tentar lidar com o problema da transfobia no contexto escolar.

imagine o que deve ser a chamada para uma pessoa que não se identifica com o gênero que o nome presente na sua certidão de nascimento implica…a chamada acaba sendo o estopim para abusos, piadinhas maldosas e manifestações duras do preconceito.  a escola é um ambiente homofóbico, todo mundo sabe, basta a gente lembrar como eram as piadas e sacanagens com aquelas pessoas que eram ou aparentavam ser homossexuais.

a evasão escolar entre a população lgbt é significativamente alta – especialmente entre travestis, que estão inegavelmente fora do armário, vulnerabilizadas à violência física e simbólica. e se pensarmos um pouco sobre o entercruzamento entre educação, qualificação e o mercado de trabalho é fácil perceber porque boa parte das travestis está na prostituição. é um ciclo triste que pode ser pelo menos sacudido com essa nova decisão da secretaria que já é em si um ato de respeito e um primeiro passo para o acolhimento de travestis e transexuais no ambiente escolar. ou assim a gente espera que seja, certo?

a portaria mal saiu e já vi uma série de comentários toscos de pessoas cisgênero dizendo (aquelas coisas de sempre) que é uma portaria inútil, que não serve pra nada e blablablablá. a grande questão é: não serve pra nada do ponto de vista de quem? óbviamente quem faz esse tipo de comentário está exercendo um privilégio cisgênero sem tamanho. não sabe o que é cisgênero e que diabos eu estou falando? então leia abaixo:

Diz-se que um indivíduo é cisgênero (do latim cis = do mesmo lado) quando sua identidade de gênero está em consonância com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer, ou seja, seu comportamento psicossocial expresso no seu dia-a-dia está inteiramente de acordo com o que a sociedade espera de pessoas do seu sexo biológico. O individuo cisgênero é, portanto, alguém que se enquadra no sistema binário de gêneros. Já um indivíduo transgênero (do latim trans= do outro lado) é aquele que não se identifica com o gênero atribuído ao nascer; podendo se identificar com o gênero oposto, identifica-se com algum amálgama dos dois gêneros ou com nenhum deles.

Uma Lista de Privilégios Cisgêneros

1. Minha identidade de gênero pode ser facilmente deduzida a partir da minha simples aparência física.
2. Nunca tive que me incomodar se eu estou “passando” satisfatoriamente para outras pessoas como membro do meu próprio gênero.
3. Para todos os efeitos legais, sociais, políticos, econômicos e até afetivos, sei que pertenço ao gênero que todo mundo acredita que eu pertenço.
4. Nunca fui obrigada/o a me comportar de maneira contrária ao gênero ao qual pertenço e com o qual eu me identifico plenamente.
5. Todo mundo usa o pronome adequado quando se dirige a mim. Ninguém teima em me chamar por um nome diferente daquele que corresponde ao meu gênero
6. É improvável que alguém me pergunte sobre meus genitais ou queira saber coisas a respeito das minhas características sexuais secundárias, ou me pedir para vê-las como seu eu fosse atração de circo.
7. É totalmente improvável que eu seja afastada/o do convívio com minha família, isolada/o das minhas amigas e amigos, separada/o de minhas filhas e/ou meus filhos, dispensada/o do meu emprego, desalojada/o da minha casa, ou que receba assistência médica de qualidade inferior, sofra abuso ou violência sexual, seja ridicularizada/o pelos meios de comunicação ou humilhada/o e repudiada/o por organizações religiosas simplesmente por assumir meu gênero publicamente.
8. Nunca foi uma preocupação minha que o meu gênero transformasse pessoas que sempre disseram me amar em pessoas completamente iradas e violentas.
9. Meu sono infantil jamais foi perturbado com desesperadas orações à divindade para que no outro dia eu acordasse no sexo oposto ao meu.
10. Na minha adolescência não tive que pensar que o meu corpo estava se transformando em algo que eu não definitivamente não queria.

Fonte: Definição de Cisgênero no site da ativista transexual Letícia Lanz (com adaptações). Disponível em: http://www.leticialanz.org/

veja a notícia sobre a portaria no próprio portal da secretaria de educação

e veja a portaria completa aqui!

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