vergonha

8 Jul

há alguns dias tenho pensado em fazer um post sobre o caso eliza samudio… sem muito bem saber por onde começar. sem muitas palavras para articular essa mistura peculiar de revolta, nojo e medo… e vergonha também. porque dá vergonha de ser flamenguista, sabia? (eu que engrosso o coro de não sou brasileira, sou da nação rubro-negra) aliás, desde março com a declaração escrota (não há palavra melhor) do bruno sobre violência contra mulher bem na semana do dia internacional das mulheres… dá vergonha de ser ser humano, na verdade. e dá um ódio saber que esse caso não é isolado, não é resultado de um problema específico personalizado na figura do agressor, é uma “doença” social… dê o nome que quiser, eu continuarei chamando de patriarcado essa desvalorização sistemática da vida das mulheres. e daí o medo. as vezes fico pensando que essa brutal exposição de casos como esse na mídia serve, entre outras coisas, para aterrorizar coletivamente as mulheres… mas isso dá pano para manga de outro post.

quem dá uma googlada básica no nome da garota, acha sites chamando eliza de maria chuteira, aproveitadora, que tava dandoo ‘golpe da barriga’, afirmando que ela era atriz pornô  e daí pra baixo. esse tipo de afirmação tenta desqualificar moralmente (moralisticamente?) e portanto depositar parte da culpa na pessoa vitimizada: “ela mereceu”, “ela procurou”, blá (inversão típica que ocorre em muitos crimes sexistas e ações misóginas). e não é diferente na mídia institucional. o portal da universidade livre feminista lançou uma matéria falando sobre o tratamento da imprensa ao caso! vale a pena conferir [vou fazer desse post uma coleção de links para outros sítios que tratam de forma interessante o assunto. pilantragem o nome disso? talvez]

e que dizer a recente propagação de piadinhas sobre o caso? putz. outro dia tive que ouvir uma da boca da minha sobrinha mais velha… cara, eu levo muita coisa na brincadeira, mas com violência contra mulheres- e mais, com femicídio -  não se brinca! esse tipo de coisa ajuda a  trivializar ainda mais os atos violentos misóginos, o que reforça o desvalor da vida das mulheres…

termino o post repassando o link da petição online de repúdio à violência contra mulheres , pedindo que (quem quer que leia esse blog) assinem. não creio muito em petições, mas pode ser uma forma de pressão, né?

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maníacas por filmes: the bechdel test!

29 Jun

uns tempos atrás a tatinha me emprestou um quadrinho fenomenal da cartunista norte americana alison bechdel. o nome do quadrinho era the essential dykes to watch out for. tratava-se de uma compilação de anos dessa tirinha chamada dykes to watch out for que conta a herstoria (hahahahaha) de uma comunidade de lésbicas nos estados unidos. é muito bacana, porque acompanha mudanças importantes no movimento lgbtt dos eua e mostra de um jeito muito fofo a conexão entre privado e político. foi por um ou dois meses minha novela feminista! li a conta gotas, curtindo cada pedaço. e torcendo pelas protagonistas, chorando quando um casal se separava, rindo do humor peculiar da mo, enfim… completamente envolvida na trama!

isso foi ano passado. outro dia em um dos blogs que acompanho no infame google reader eis que me aparece um vídeo do feminist frequency sobre o teste de bechdel. fiquei intrigada… acho que não me lembrava. fui ver.

e agora não consigo mais ver um filme sem pensar no teste. o teste consiste em uma maneira simples de perceber como se dá a (sub)representação das mulheres nos filmes. pra passar no teste um filme tem que:

1- ter pelo menos duas personagens femininas;
2- ambas tem que ter nomes;
3- elas tem que conversar entre si;
4- sobre uma coisa que não seja um homem.

estou insana com isso hahahahaha. é sério. não consigo mais ver um filme sem pensar no teste. vê o vídeo aqui no post pra ter noção de quantos filmes não passam no teste.  e visite o site do teste pra ver a base de dados e contribuir com ela também (incluindo sua resenha dos filmes).

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ajuda dijêi!

25 Jun

dijêi, ajuda esse corpo!

eu ainda vou entender porque diabos as questões não se fecham para mim. me encontro sempre rodando muitchoslokas numa espiral insana de ideias… depois daquele post de ontem(? é. o calendário tá brincando de esconde-esconde comigo- tô perdida no tempo) voltei pra introdução a filosofia feminista da alison stone procurando entender mais (ou menos!). ando maluca e preguiçosa, lendo coisas a passos de tartaruga. tinha largado a alison bem no meio do capítulo sobre gênero. lá ela discute bastante a re-conceituação de gênero que a butler faz. acho que deu mais umas ideias e – em tempos de copa – embolou um pouco mais o meio de campo.

porque? ixi, tem alguns porques… vamos lá:

1) porque a noção de gênero da butler é curiosa. gênero é ao mesmo tempo um ideal regulatório, um conjunto de normas que regulam e prescrevem como deve ser um sujeito, com relação a seu sexo, sexualidade, identidade, comportamento, blá. e também os “estilos de comportamento corporal individual” (essa expressão é da stone). acho curioso que as duas coisas sejam chamadas de gênero (tá, pode ser que chamar a primeira de normas de gênero e a segunda de gênero melhore, mas – tenho que fuçar no GT – acho que ela fala do gênero também como esse conjunto de normas). perceba. aquela divisão que eu tentei fazer entre diferença sexual e gênero é justamente essa que acho que falta aqui. o gênero como norma que tenta capturar a diferença sexual. tá. ok, você pode argumentar que o bacana da butler é que ela entende que é a própria relação com a norma – e não algo anterior a ela, que poderia servir para a naturalizar o sexo – que gera as diferentes formas de ser no mundo, mesmo aquelas que transgridem o que é considerado como normal. por isso, por essa relação íntima entre o que ‘subverte’ a norma e a própria norma, faria sentido chamar tanto a estrutura normativa, quanto as diferentes expressões de si de ‘gênero’.

2) porque ainda falando de butler a alison stone (cara, tá me parecendo uma ótima tradução da butler pro inglês! hahahaha reciclar piada é palha!) tem uma sacada bruta: que as normas de gênero, para butler, poderiam ser mais frouxas ou fluidas, mas não são porque aquela infame matriz heterossexual opera como um limite. assim normatividade de gênero passa a ser heteronormatividade. e: o gênero deve, por isso, expressar o sexo; feminilidade e masculinidade devem ser opostas; heterossexualidade é normal porque os gêneros precisam um do outro como complemento (isso é livre tradução da stone, tá? pg 67). mas mesmo assim, ela termina o sumariozinho em 6 pontos que faz da butler dizendo que o objetivo imaginado por butler é abolir o gênero e ela chama de gênero ” a ideia que machos e fêmeas devam agir de maneiras sistematicamente diferentes”. daí o nó na tripa volta. porque vocês lembram que toda a lengalenga começou por causa da frase da berenice bento (altamente butleriana)? a meta da berenice é viver o “gênero para além da diferença sexual”. mas aqui a stone afirma – e a butler o faz também só tô com preguiça de procurar no gt – que o gênero é esse ideal normativo ou regulatório que instaura isso que a berenice bento chamou de diferença sexual. daí vocês entendem porque não dá pra usar o gênero para as duas coisas? porque quando a butler fala em abolir o gênero ela fala em abolir a norma, certo? para que os estilos corporais possam proliferar. certo? ou abolir tudo isso? ou abolir a norma implica em abolir os estiloooooossss? deu nó na tripa de vocês também?

3) porque lá pelas tantas alison stone começa a discutir as filosofias feministas sobre o corpo. e ai fiquei apaixonada a primeira vista pela moira gatens. preciso ler ela urgentemente. ela usa merleau-ponty e sua a noção de schema corporel para pensar que nossos corpos são imaginários. o que ela defende é que ao longo de nossa vida criamos inconscientemente mapas de nossos corpos, uma imagem de como somos corporalmente; essa imagem começa bem calcada na fantasia, como quando somos pequenas e achamos que somos bem mais forte ou rápidas do que de fato somos. esses mapas vão se reconfigurando a todo tempo e ao mapear as diferentes partes de nosso corpo damos a elas significados e investimentos emocionais diferentes (assim, como a wittig costumava dizer a gente erogeniza certas partes, por exemplo) e além disso, nosso mapeamento corporal está sempre mediado por noções externas: ideias comuns sobre o que são (e para que servem! afffff) certas partes do corpo, mas também sobre que tipo de corpo é desejado, interessante, valorizado… tá. isso é muito fera, primeiro porque AMO essas conexões de espaço-corporalidade. mas não é bem o ponto que é cabulosinho e que diz respeito ao post anterior. o lance é: a moira gatens aceita (coisa que em butler fica meio ambíguo) que os corpos tem propriedades biológicas independentemente da cultura (calmaaaaaaaaa! não fica nervosa, querida, termina de ler), mas que não são essas propriedades que fazem alguém ser macho o fêmea! (tada! amei) é o nosso imaginário social que presume que todo mundo é macho ou fêmea e, como resultado disso, as pessoas constroem seus mapas corporais dando uma atenção especial aquelas propriedades biológicas que se enquadrariam nas ideias sociais sobre masculinidade e feminilidade.

pra mim, ela ahazou brutalmente. ainda mais que isso funciona muito bem com a noção que a própria alison stone defende: de que uma pessoa é considerada masculina ou feminina não por uma característica específica (uma essência, uma coisa que tem e não pode deixar de ter) mas por uma porção de elementos; ela acha que masculinidade ou feminilidade são ‘cluster concepts’ ou seja, conceitos de aglomerados. existem uma porção de características que podem fazer alguém ser considerada como mulher, quando uma indivídua (rá) tem um número significante dessas características, pressupomos que ela é mulher.

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nózinho da diferença

23 Jun

outro dia fiquei com raiva lendo um livro. quem me conhece sabe que eu sou facilmente seduzida pelos livros, as autoras me levam onde querem e eu sigo de bom grado. quero ver até onde elas me levam… dificilmente fico com raiva ao ler um livro. com raiva da posição que a autora defende. a não ser em casos muito absurdos. mas autores absurdos (racistas, sexistas, blá) eu costumo não querer nem ler…

faz tempo, talvez um mês, que a michelli me emprestou um livro da berenice bento que se chama o que é transexualidade. demorei a pega-lo pra ler. peguei outro dia.  li a apresentação e fiquei morrendo de raiva. olha que engraçado. fiquei com tanta raiva que larguei o livro. o motivo da raiva era bobo que só vendo. e por isso compartilho. berenice termina sua apresentação com a seguinte frase:

“o objetivo desse livro é fornecer reflexões que possibilitem problematizar os limites das instituições sociais ao lidar com estas demandas e a necessidade de se repensar os critérios de normalidade e anormalidade que são postos em cena todas as vezes que estamos diante das pessoas que vivem o gênero para além da diferença sexual

fiquei com raiva dessa afirmação porque  penso muito que é o contrário. essa afirmação parece dizer (o que é bem repetido por ai) que a diferença sexual é binária (homem/mulher) e que o gênero é mais fluido e existem várias possibilidades dentro dele.  as configurações e diversidades de gênero subvertem a noção de que a diferença sexual seja binária. massa. o lance é que eu acho que isso está equivocado. gênero, pra mim, é o sistema de pensamento que age fazendo a gente pensar que nos dividimos em homens e mulheres. enquanto a diferença sexual, a realidade dos corpos, é muito mais múltipla que o binarismo de gênero pode conceber. tudo bem, cadê a judith butler falando que o sexo já é gênero desde sempre? não sei se isso ajuda, na verdade. sabe porque? por causa do problema da somatofobia. se – e a butler já falou isso – toda vez que a gente for falar de corpos a gente terminar falando de discursos parece que a gente some com qualquer possibilidade de agência que os corpos possam ter. não quero dizer que existam diferenças sexuais intocadas pelo discurso, mas queria pensar que as vezes os corpos escapam desse modelo binário de gênero. vou insistir no gênero como construção simbólica-política-imagética-seiláeuoque e na diferença sexual como o que excede, escapa. isso é pensar num sexo correndo pelado no campo (hahahaha ou seja, num sexo anterior a cultura?) talvez não. porque pode ser mesmo que essas outras configurações sexuais sejam mediadas e só existam em relação com a norma de gênero.

essa é uma questão conceitual que eu desconfio estar no coraçãozinho da discussão sobre ecofeminismo/ecoqueer (e de fato eu tropecei nela escrevendo sobre isso pro gt do fazendo gênero e agora empaquei, comofas?), sabe porque? porque diferença sexual – ao menos esta do lado do que ‘há no mundo’ e gênero no lado do que ‘fazemos no mundo’. natureza e cultura. os ecofeminismos transfóbicos estão do lado do binarismo porque tem uma noção de diferença sexual binária desse mesmo jeito que é definida pela berenice bento. que está longe do jeito que eu penso ela… não sei. tá dando nó na tripa.

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último show do silente e world premiere do balleckett

22 Jun

o fellipe cdc me pediu pra escrever um capítulo do tal livro sobre mulheres envolvidas com o underground de brasília. cada garota vai escrever um pouco sobre sua estória e como ela se entrelaça com a história do nosso querido underground.

o processo de escrita tava muito bacana e gostoso. até chegar em 2004. os anos de 2004, 2005 e 2006 foram super intensos para mim. muita coisa aconteceu, bandas, zines, festivais, corpuscrisis… tudo isso nasceu ai. e boa parte disso morreu ai também. por isso empaquei na escrita… o que era gostoso ficou de repente sensível demais, até meio doloroso…

querendo escrever sobre o último show do silente essa banda que eramos eu-alex-caio-tate lembrei que nesse dia teve a estréia mundial do balleckett; e procurando o manifesto balleckett achei esse vídeo. mal dá pra ver ballecketteiras e ballecketteiros. tá escuro. mas dá pra ver sim. e dá pra ouvir bem o silente tocando. foi em 2006 e o evento era a flor punk (jornadas anarco punks + a flor da palavra) que saudade que dá.

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artigos marotos pro fazendo gênero

26 Mai

esse ano rola o fazendo gênero 9. eu e a michelli inscrevemos um artigo marotinho sobre ecofeminismo e transfobia pro st de gênero, ambiente e sustentabilidade e foi aprovado! uhu!

ó lá que maroto o resumo:

  • Sandra Michelli da Costa Gomes (NEDIG/CEAM/UNB), Alice de Barros Gabriel (Nedig/UnB)
    Queerizando o Ecofeminismo Cis-heterossexista
    O ecofeminismo propõe uma conexão interessante entre a política sexual e o que chamamos toscamente de ‘natureza’. Porém, parte da discussão ecofeminista insiste numa compreensão de natureza centrada na dicotomia homem/mulher – perpetuando uma imagem cisheterossexista (que não apenas pensa que a heterossexualidade é a norma, mas que a cissexualidade, é normal/normativa) da natureza e de nós mesmas.A discussão sobre a presença de uma transfobia em boa parte dos escritos clássicos do ecofeminismo apareceu recentemente em artigos e discussões em espaços acadêmicos e também de militância. Com as ferramentas teóricas fornecidas pela Cadeira Canadense em Sustentabilidade e Cultura, podemos pensar melhor como as relações através das quais a natureza é significada, organizada, percebida e negociada são profundamente influenciadas pelo gênero e pela sexualidade, originando específicas geografias de significado sobre a natureza. Mas também, a partir dessa revisão queer do ecofeminismo pretendemos problematizar o que da experiência transexual nos informa sobre as possibilidades e estratégias de reterritorialização das sociedades humanas sobre as paisagens. No presente trabalho nos propomos a pensar um ecofeminismo a partir de uma vontade de minar o cis-heterossexismo.

eu inscrevi uma fala solitária também, numa pegada próxima, mas usando como fonte a ficção científica feminista, pro st de literatura contemporânea de autoria feminina:

  • Alice de Barros Gabriel (Nedig/UnB)
    confabulando heterotopias: as relações simbióticas entre teorias e ficções científicas feministas

    Muito da ficção científica, centrada nas viagens , deslocamentos e estranhamentos entre culturas – pode ser caracterizado como experiências de pensamento , recurso tão utilizado nas filosofias. No caso da ficção científica feminista (FCF), essas experiências se direcionam principalmente para imaginação de situaçõesnão-patriarcais. O presente trabalho pretende pensar as conexões entre teorias ecofeministas/ecoqueer e os escritos de FCF, a partir da análise de novelas de Joanna Russ, Octavia Butler e Ursula Le Guin. Tais escritos podem surpreender em sua capacidade de afetar e desvelar terrenos férteis pra que se plantem heterotopias feministas, para que pensemos outras formas de nos organizarmos e nos relacionarmos umas com as outras e com o mundo. Porém, algumas perguntas devem ser feitas: que imagens generadas de natureza aparecem nesses escritos? Qual o espaço tais escritos dão para questionar a cis-heteronormatividade? Percebendo que não apenas a teoria feminista informa a feitura dos textos de ficção, mas também a ficção surge como uma fonte vívida para a produção teórico-filosófica (haja vista as apropriações que autoras como Donna Haraway fazem de obras de FCF) ouso propor que a fronteira entre filosofia e ficção é mais porosa do que parece. Juntas confabulam heterotopias.

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que fera! novos blogs na blogosfera

24 Mai

dois novos blogs chegam para contaminar a blogosfera com coisas feras.

o primeiro é o (trans)ecoqueer da querida sandra michelli. que depois de fechar o natureza torta sentiu falta de blogar e voltou! o blog é sobre questões de ecologia e ecofeminismo do ponto de vista de uma mulher transexual. ahaza!

o segundo, taquifemia, é parte de um projeto muito lindo meu e do hilan. fomos convidadxs por uma editora feminista chamada onira que está para nascer para organizar um livro sobre feminismos e filosofia no brasil e o blog é parte do projeto. tá engatinhando mas já tá online.

as imagens que ilustram o post são um dos meus joguinhos favoritos de todos os tempos, o earthbound para nintendo. em cima está o clumsy robot e ao lado a tessie, monstrinha do lago tess levando o macaco bubbles e um dos personagens principais de um lado a outro do lago. achou nada a ver? eu achei super na proposta. beijos.

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[la sangre] copas menstruais

24 Mai

você conhece as copas menstruais? são pequenos copos de silicone médico que a gente insere na buceta para  coletar a menstruação. são tampões eco-amigos. na verdade, copos menstruais são tecnologias menstruais antigas, reza a lenda que cleopatra usava um. só que nessa versão revisitada a tecnologia do silicone médico entra na jogada, o que dá um plus na praticidade e na coisa da higienização. eles são pequenos e flexíveis, a ideia é dobrá-lo e inserí-lo, dentro do canal vaginal ele se abre e faz um selo com as paredes de modo que não vaza.

as vantagens de um copo menstrual (numa comparação com um absorvente interno ou externo) são:

1- não produz lixo;
2-no final das contas sai mais barato, você compra um copo de 60 reais e fica 10 anos sem comprar todo mês um pacote de absorventes de 3 a 6 reais;
3- não resseca sua vagina (ele não absorve nada, por isso seu ambiente interno permanece úmido e lubrificado);
4- você não insere (no caso de ab. interno) nada que possa alterar o ph ou o ambiente interno da sua buceta (desde que não lave seu copinho com sabonete com perfume ou coisas do tipo; eu lavo o meu apenas com água durante a menstruação, no final lavo com sabão de côco e fervo, mas uma amiga lava com cházinho de camomila, acho que é uma boa ideia. vou tentar com hortelã que é bactericida) ou que seja tratado com produtos químicos sinistros;
5- no caso de ab. externo: você não abafa sua buceta, tornando ela um ambiente ainda mais favorável ao florescimento de uma colônia sinistra de fungos e bactérias. lembre-se que durante a menstruação sua buceta muda o ph e fica mais sucetível a cândida e demais vaginoses bacterianas/fungícas, quando usamos um absorvente externo abafamos a buceta, o que aumenta a possibilidade de ploriferação dessas bixeiras (hahahahahaha). e quem nunca ficou assada no verão por causa de absorvente?
6- você tem a real dimensão do fluxo menstrual;
7- você passa a ter uma vida intra-bucêtica: controle melhor dos músculos pélvicos, noção do tamanho da sua buceta, de onde se localiza seu cérvix, e tudo mais. auto-conhecimento interno é bacana também. ;)

vazamento no copinho? o que pode ser?
1- tem certeza que é vazamento? porque antes de você colocar o copinho você já está sangrando e esse sangue fica na parede do canal vaginal, e ai o que você acha que está vazando é, na verdade, esse sangue que sobrou.
2- se você tem certeza que é vazamento, se o sangue continua a sair em boa quantidade (e em vermelho vivo, porque o sangue de sobra normalmente é meio diluidinho no muco natural da buceta) ao longo do tempo, então verifique o ângulo de inserção; lembre-se que a vagina não é um canal vertical, mas inclinado para trás. quando inserir imagine que o fim do caminho é seu ‘osso rabinho’;
3- verifique se seu copinho está totalmente aberto: enfie o dedo e sinta a borda do copinho tentando perceber se ele está aberto como fica do lado de fora; você pode girar (ou fazer um movimento de sobe-desce) o copinho pra confirmar o vácuo, outra forma de fazer isso é apertar a borda ou o lado do copinho pra que um pouco de ar entre e refaça o vácuo (você vai ouvir o barulho, é bem engraçado).

4- pode ser que você tenha colocado o copinho muito pra dentro da sua vagina. tente colocar um pouco mais embaixo, porque quando a gente menstrua o cervix (por onde o sangue sai) incha e dá uma ‘abaixada’, se você colocar o copinho passando a porta do cervix o sangue não vai ser contido pelo copinho… você pode fazer uma investigação pra descobrir mais ou menos onde fica seu cervix (quando não estiver menstruada) com um espéculo, espelho e lanterninha. ;)

5- pode ser também que você tenha colocado muito em baixo, e ele esteja deformado pela pressão do seu osso pélvico, não fazendo o vácuo propriamente. por isso é bom verificar se está totalmente aberto como fica do lado de fora da buceta.

6- verifique se os buracos do seu copinho não estão obstruídos, porque se estiverem não farão o selo. é importante verificar se eles vieram bem feitos de fábrica e também atentar a eles quando lavar o copinho: encha o copinho de água, coloque sua mão na borda, vire de cabeça pra baixo e pressione o copinho. isso fará a água passar com força pelos buracos desobstruindo eles;
7- é possível que seu ‘assoalho pélvico’ esteja meio flácido e seja necessário praticar alguns exercícios para recuperar o tônus muscular. os exercícios kegel, por exemplo.
8- algumas mulheres dizem que quando estão com cândida o copinho tende a vazar. pode ser pela produção de mais muco vaginal…
9- pode ser que você tenha escolhido um copinho do tamanho errado :(

virão mais post sobre copinhos, mas você acha milhares de informações sobre copinhos menstruais aqui: http://menstrualcups.wordpress.com/

para comprar copinhos no brasil: http://www.guiavegano.com.br
instruções do lunette (uma marca de copinhos, é a que eu tenho) em português: http://www.lunette.fi/pt/index.php?id=51

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a softer world

15 Mai
as vezes eu queria ter nascido menina para gostar de maquiagem e lindas roupas... ao invés de só ter essa vagina

quadrinho traduzido pela tate

o a softer world apesar da recente polêmica, de vez em quando acerta. a tate traduziu ele para uma atividade do vidas plurais e eu roubei. clique nela pra ver em tamanho maior.

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texto da tate na parada lésbica

4 Mar

gatas, a tatinha tá demais.

o texto mais recente (não tão recente assim) dela na parada lésbica é sobre masturbação, auto-conhecimento y mucho más. tádemaise, magalhãise. e mega-ultra-visitada. não leu ainda? leia agoríssima então!

e tudo isso pode ser apenas uma desculpa pra compartilhar uma tirinha marota do a softer world, meu brinquedinho favorito da semana passada, que de vez em quando acerta ca-bu-lo-so!

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