esse ano rola o fazendo gênero 9. eu e a michelli inscrevemos um artigo marotinho sobre ecofeminismo e transfobia pro st de gênero, ambiente e sustentabilidade e foi aprovado! uhu!
ó lá que maroto o resumo:
- Sandra Michelli da Costa Gomes (NEDIG/CEAM/UNB), Alice de Barros Gabriel (Nedig/UnB)
Queerizando o Ecofeminismo Cis-heterossexista
O ecofeminismo propõe uma conexão interessante entre a política sexual e o que chamamos toscamente de ‘natureza’. Porém, parte da discussão ecofeminista insiste numa compreensão de natureza centrada na dicotomia homem/mulher – perpetuando uma imagem cisheterossexista (que não apenas pensa que a heterossexualidade é a norma, mas que a cissexualidade, é normal/normativa) da natureza e de nós mesmas.A discussão sobre a presença de uma transfobia em boa parte dos escritos clássicos do ecofeminismo apareceu recentemente em artigos e discussões em espaços acadêmicos e também de militância. Com as ferramentas teóricas fornecidas pela Cadeira Canadense em Sustentabilidade e Cultura, podemos pensar melhor como as relações através das quais a natureza é significada, organizada, percebida e negociada são profundamente influenciadas pelo gênero e pela sexualidade, originando específicas geografias de significado sobre a natureza. Mas também, a partir dessa revisão queer do ecofeminismo pretendemos problematizar o que da experiência transexual nos informa sobre as possibilidades e estratégias de reterritorialização das sociedades humanas sobre as paisagens. No presente trabalho nos propomos a pensar um ecofeminismo a partir de uma vontade de minar o cis-heterossexismo.
eu inscrevi uma fala solitária também, numa pegada próxima, mas usando como fonte a ficção científica feminista, pro st de literatura contemporânea de autoria feminina:
- Alice de Barros Gabriel (Nedig/UnB)
confabulando heterotopias: as relações simbióticas entre teorias e ficções científicas feministas
Muito da ficção científica, centrada nas viagens , deslocamentos e estranhamentos entre culturas – pode ser caracterizado como experiências de pensamento , recurso tão utilizado nas filosofias. No caso da ficção científica feminista (FCF), essas experiências se direcionam principalmente para imaginação de situaçõesnão-patriarcais. O presente trabalho pretende pensar as conexões entre teorias ecofeministas/ecoqueer e os escritos de FCF, a partir da análise de novelas de Joanna Russ, Octavia Butler e Ursula Le Guin. Tais escritos podem surpreender em sua capacidade de afetar e desvelar terrenos férteis pra que se plantem heterotopias feministas, para que pensemos outras formas de nos organizarmos e nos relacionarmos umas com as outras e com o mundo. Porém, algumas perguntas devem ser feitas: que imagens generadas de natureza aparecem nesses escritos? Qual o espaço tais escritos dão para questionar a cis-heteronormatividade? Percebendo que não apenas a teoria feminista informa a feitura dos textos de ficção, mas também a ficção surge como uma fonte vívida para a produção teórico-filosófica (haja vista as apropriações que autoras como Donna Haraway fazem de obras de FCF) ouso propor que a fronteira entre filosofia e ficção é mais porosa do que parece. Juntas confabulam heterotopias.
Etiquetas:ecologia, literatura, sci-fi feminista, transfobia
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